Mortadela, de matadora de larica à rainha da Itália

Entenda as sutis diferenças que fazem com que o nosso item preferido do café da tarde seja reverenciado em terras italianas e visto como carne de qualidade duvidosa no Brasil e nos Estados Unidos.

Mitos e verdades

Existe uma lenda bem antiga que diz que a carne utilizada para fabricar a mortadela brasileira é feita de cavalos que já estão velhos demais e sem forças suficientes para puxar as carroças.

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Até hoje, ninguém conseguiu provar que essa teoria é real. Na verdade, a mortadela tradicional é um embutido feito à base de carnes suína e bovina. Mas sempre que carnes diferentes – como peru ou frango – entram na receita, a lei exige menção na embalagem.

Essa ilusão passou a assombrar a galera por conta do baixo custo que esse ingrediente é colocado à venda em açougues, padarias e mercados no país.

Fora do Brasil até existem açougues que utilizam a mortadela equina, mas eles contrariam totalmente as normas exigidas para a comercialização desse tipo de alimento e como a demanda é pequena, a oferta é altíssima e o produto acaba sendo vendido como uma fina iguaria.

Coragem, hein?

Mangia bene na Itália

Em Bolonha, onde a mortadela nasceu, ela representa a riqueza acumulada pelos mercadores medievais e intelectuais e que ganharam a vida na era das trevas.

A diferença entre lá e aqui não está só na fama, está também no sabor. Na Itália, ele é mais suave e as fatias costumam ser mais rosadas, além de ser extremamente proibido usar sobra da desossa de animais na composição.

Em 1961, por exemplo, quem ousasse fraudar as regras da mortadela estaria sujeito à multa de 200 escudos de ouro e um tratto de corda, que é literalmente uma modalidade de tortura, meus amigos.

A prática consistia em pendurar as vítimas numa corda amarrada aos pulsos, com os ombros virados para trás. Dá pra imaginar o tamanho da dor desses cidadãos, né?

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Reprodução: Museu Genus Bononiae

Mas os italianos, acredite ou não, temiam mais a perda da licença para fabricar ou vender embutidos do que a tortura, já que essa era a atividade mais comum de comércio no país.

O decreto da “mor-tan-dela”, como costumamos falar aqui no Brasil, é o segundo documento mais antigo do ocidente. Seu caráter tradicional ajudou a dar esse tom de nobreza à mortadella bologna na Itália.

Sanduíche de Mortadela brasileiro

Reprodução: São Paulo in Foco

O pão com mortadela, apesar de ser o sanduba mais famoso do mercadão de São Paulo, é extremamente consumido nas cidades interior do país.

A combinação, além de deliciosa, é super barata e versátil, o que permite dar aquela incrementada na receita.

Sem contar que no fim de mês, quando falta aquela graninha pra marmita, essa dádiva gastronômica salva a vida do jovem faminto.

Opções veganas

Se você é vegano, dá pra preparar sua versão de mortadela em casa com facilidade.

Pra te dar uma força, achamos essa receita especial no site Boa Forma:

Mortadela vegana
Reprodução: Mundo Boa Forma

Ingredientes:

  • 1 kg de glúten cru;
  • 1 xícara de castanha do pará;
  • 2 folhas de louro;
  • folhas de hortelã;
  • 1/4 xícara de leite de soja;
  • 1 xícara de soja cozida;
  • 8 dentes de alho;
  • 2 pimentões;
  • cebolinha picada a gosto;
  • salsa picada a gosto;
  • 2 cebolas raladas;
  • 1/2 xícara de azeite de oliva;
  • 1/2 xícara de molho shoyu.

Modo de preparo:

Bata todos os ingredientes em processador ou liquidificador, exceto o azeite e o shoyu. Em seguida, adicione o azeite e o shoyu.

Misture bem e coloque a mistura bem compactada em uma lata ou recipiente untado.

Aperte bem, tampe e leve para ferver em banho-maria por 1 hora e 30 minutos. Retire com cuidado e corte em fatias ou cubos, como preferir.

Bom apetite, fominha!

P.S: após comer mortadela, evite arrotar no coleguinha!

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